Thursday, March 31, 2016

Corrupção - uma doença social

Sair às ruas para protestar contra a corrupção tem sido um ato cada vez mais comum. Claro, a corrupção está aí, corrompendo nossas instituições, “surrupiando” o dinheiro dos nossos impostos, dizimando o pouco de esperança que resta em uma população “honesta”, que honra com seus mais profundos preceitos éticos, códigos morais e que educa seus descendentes pelo exemplo...

A corrupção é uma praga realmente, um mal que precisa ser combatido. Mas vejamos só... Pensando no antídoto...


A corrupção é uma síndrome que se manifesta apenas em políticos e administradores de grandes construtoras? É uma doença transmitida por algum inseto? Um inseto que escolhe quem picar? Ela é genética, é transmitida de uma geração para outra? Ela foi importada de outro país ou quem sabe de outro planeta?
Não, claro que não! A corrupção nasce em nossas casas, todos os dias. Está presente dentro do nosso mais profundo ser, enraizada em velhos e novos hábitos. Ela se perpetua como uma praga, age como o mais potente vírus, pois é capaz de se reinventar a uma velocidade incalculável. Parece muitas vezes invisível, mas ataca todas as raças e classes sociais. O período de incubação é variável, em alguns casos pode nunca se manifestar. Mas quem padece deste mal, nega sempre que está doente...

A corrupção está presente em nossas casas, nas ligações irregulares de água, na TV a cabo pirata, nos filmes baixados por torrent, na versão “beta” do Windows e de todo o pacote Office, na árvore cortada sem autorização, no valor do imóvel subestimado, no imposto de renda parcial...

A corrupção está presente nas ruas, no desrespeito às vagas preferenciais, no suborno ao guarda, no bem achado e não devolvido, no troco errado não relatado...

A corrupção está presente nas escolas, nas provas coladas, nos trabalhos plagiados, nas respostas compradas, no livro “xerocado”...

Ela está presente nas empresas, nos impostos omitidos, no “por fora” do trabalhador, na contratação informal, nos favorecimentos contratuais, na nota fria...

E não podia ser diferente, ela está presente nos órgãos públicos, nas licitações direcionadas, nas decisões políticas onerosas, nas indicações pessoais...

A ocasião e a oportunidade fazem o corrupto, se a corrupção vem de berço, o político é mero retrato de uma sociedade corrupta. Ele não é a causa dos problemas, mas a consequência de uma epidemia de doentes morais, de cegos éticos, que fecham os olhos para os pequenos atos de corrupção do dia-a-dia.

Por isso, protestar é um direito, mas não praticar atos de corrupção é mais do que uma obrigação.
Por favor, vamos erradicar este mal pela raíz!!!

Thursday, January 15, 2015

Ser ou não ser Charlie, eis a questão.

Bem, este tema é extremamente complexo, por isso meu objetivo é levantar perguntas e fatos para a reflexão.
Na verdade são muitas perguntas para poucas respostas.


Mas vamos lá, qual o limite da liberdade de expressão? Tem que haver limite? E no caso de haver, como determiná-lo? Pois é, aí que surgem as contradições. Para retratar Maomé, o Papa, ou qualquer outra figura religiosa, aparentemente não existem limites. A liberdade de expressão está acima do politicamente incorreto em nossa sociedade de base anglo-saxônica. Então fazer piadas dos atentados de Paris também é possível, certo? Não, neste caso as forças francesas têm detido comediantes que ousam tocar neste assunto tão “delicado” em seus stand-up comedy. Mas isso não é contraditório? Aliás, não existem outros temas tão delicados quanto este? Bem, o islamismo possui um principio fundamental que proíbe qualquer tipo de retratação do Profeta. Este não seria então um tema sobre o qual teria que se tomar certo cuidado? Pois é, pelo jeito existe uma linha (não muito tênue) que realmente divide os mundos, e que tem fomentado a intolerância religiosa.

De um lado, uma sociedade ocidental alienada a valores de posse, que vem enterrando dia a após dia os princípios morais e éticos que um dia a sustentaram, e cuja religião predominante (o cristianismo, que um dia já foi imposto ao mundo inteiro) vem perdendo vertiginosamente seus fies devido ao grau de banalização que se encontra. De outro lado, a maior religião do mundo em número de adeptos, cujos hábitos, costumes e valores daqueles que a seguem (os muçulmanos) estão muito vinculados à obediência religiosa (preceitos do Alcorão) e são bem diferentes daqueles que conhecemos no ocidente. E são justamente estas diferenças que são questionadas por muitos, que enxergam ali uma influência perigosa a sua cultura, haja vista a quantidade de imigrantes muçulmanos em seus territórios. E é desse fato que muita gente têm se utilizado para ofender, agredir e humilhar com um lápis e um papel. É a palavra que mata.

Mas se por um lado o ocidente generaliza o julgamento deste povo a partir de ações de uma minoria que aterroriza o mundo a partir de interpretações radicais, por outro lado, por que existem tantos muçulmanos imigrando para democracias ocidentais de culturas tão diferentes?
Talvez valha a velha frase de Churchill: A democracia é a pior de todas as formas de governo, excetuando-se as demais.

Mas o fato é: a liberdade de expressão deve ter limites para impedir a intolerância religiosa? 
 
Em existindo agressões a religiões ou religiosos, seja através de uma charge ou não, sempre haverá pessoas ofendidas. A questão é: no caso da ocorrência desta situação, existem canais acessíveis a estas pessoas para manifestarem a sua insatisfação? E eles são efetivos?

Pois bem, na época das primeiras publicações ofensivas ao Islã na França, diversas associações islâmicas se sentiram agredidas e decidiram processar a revista que os publicou. Porém, os tribunais franceses deram ganho de causa para a revista. Este fato serviu de incentivo para que a Charlie Hebdo intensificasse as charges e textos contra o Islã.

A justiça deve ser justa, não? Será que a justiça chega de forma equilibrada àquelas minorias marginalizadas das nossas sociedades? Às minorias étnicas e religiosas?

Há quem diga que quando mais se insiste em algo, mas as pessoas acreditam. Ou seja, quando um muçulmano é retratado com armas e bombas repetidas vezes, cria-se um estereótipo de que todo muçulmano é terrorista. E isso não é verdade. Mas qual o limite para a representação generalizada de alguém?

O fato de alguns aceitarem piadas preconceituosas deve servir de base para que todos as aceitem? Aliás, essa é uma das defesas feitas a Charlie Hebdo, o fato dela fazer piadas sobre tudo e todos. Mas a velha máxima já dizia: “cada cabeça é uma sentença”, logo, públicos diferentes terão reações diferentes, isso é lógico ou não?

Outra pergunta interessante: um jornalista tem ou não responsabilidade pelas informações que publica? Caso tenha, não precisa ter cuidado com o que veicula? Seja para preservar a fonte, seja para manter a credibilidade do meio de comunicação utilizado ou a sua própria reputação. Ou mais importante ainda, para trazer algo de útil a sociedade. Pior que hoje as inutilidades é que dão maior audiência, não?

Dá para fazer piada sem ser preconceituoso? Ou sempre vai ter uma raça, uma opção sexual, uma religião servindo de alicerce para a piada. As piadas sobre os mais fracos, as minorias, os marginalizados são dignas de risadas? Ou mostram o despreparo do autor em tratar de assuntos mais complexos, como: política e economia?

Enfim, muitas perguntas e poucas conclusões.
Talvez a única conclusão que se possa tirar, e que não será parcial, é que nada justifica os atentados terroristas ocorridos na França.


Agora, ser o não ser Charlie, eis a questão.

Monday, January 13, 2014

O Sistema - Parte 1

Você pode não enxergar, acreditar, mas tenha a certeza que você o sente... na sua pele, todos os dias.
Pior, ele está ao seu lado, embaixo dos seus pés e sobre sua cabeça, aguardando seus movimentos, pois ele precisa de você.

O SISTEMA, sim, ele existe e é mais real do que parece...
A partir de agora, faremos uma viagem que talvez ajude você a entender um pouco mais do funcionamento do sistema.
Mas antes, darei algumas dicas de como entendê-lo um pouquinho melhor:
- Pergunte sempre o porquê das coisas, se algo não fizer sentido ou não possuir uma resposta, saiba que há grande chance do sistema estar por trás.
- A grande maioria daqueles que julgamos ser vilões, na verdade são vítimas.
- Por último, nunca negue o sistema, pois você faz parte dele.

Vamos lá:
Tia Zina é uma pequena produtora de compotas artesanais de um município distante. Ela vende suas deliciosas compotas para os pequenos comerciantes da região. Todos dizem que as compotas de figo e mamão de Tia Zina são as melhores do mundo.  
José tem uma voz e um talento incrível para a música, canta como ninguém. José produziu seu primeiro CD com músicas próprias.
Marquinhos joga futebol desde os 3 anos, quando ganhou a primeira bola. Foi eleito por vários anos o melhor jogador do campeonato regional. É o craque da cidade.

Quais as chances de Tia Zina, José e Marquinhos se tornarem grandes no que fazem?  Qual a chance de Tia Zina se tornar uma empresária de sucesso? De José se tornar um cantor profissional? E de Marquinhos integrar um time da primeira divisão?
Os céticos diriam: talento e trabalho e talvez uma pouco de sorte.
Pois eu vos digo: Talento e trabalho não bastam, pior, podem não fazer diferença, ou você nunca fez a pergunta: por quê? Como é que pode? Isso é possível? E não obteve resposta ou a resposta não fez sentido. Na verdade, a sorte é o sistema travestido.

A sua sorte é proporcional a sua sintonia com o sistema. Alguns preferem dizer: é dançar a mesma música, mesmo que não seja o seu ritmo, ou pior, mesmo que você não saiba dançar.

Vejamos outro exemplo: por que você acha que existem produtos tão baratos em alguns lugares? Em função do proprietário não pagar impostos? Do produto não ser original? De a empresa receber subsídios? Não, na maioria das vezes, é o sistema atuando. Alguém está pagando as contas por você, para que você tenha acesso a um produto tão barato. É o fornecedor da matéria-prima, que explora a natureza além de sua capacidade de regeneração, é o trabalhador da fábrica que trabalha em regime de escravidão, é a criança que abre mão da sua infância, é o governo que se cala para garantir o crescimento econômico.
Por quê? É o tipo de pergunta cuja resposta tende a não fazer sentido.

Outras perguntas que parecem não fazer sentido: Por que as pessoas destroem o meio ambiente se dependem dele para a sua sobrevivência? Os céticos diriam que é por que estas pessoas desconhecem os impactos destas ações, ou seja, não estão conscientizadas. Será? O fato é que as pessoas que mais destroem o planeta tem justamente formação superior e falam mais de duas línguas.

Por que se investe tanto em armas num período em que se fala tanto em paz? 
Por que ainda há tanto preconceito se a ciência prova cada vez mais que somos iguais?

Simplesmente, porque o sistema é assim.
Bem, antes de revelarmos o que é o sistema, mais algumas verdades importantes sobre ele:
- O sistema não é novo, mas está cada dia mais forte.
- O grau de sucesso do seu negócio e de sua vida é proporcional ao grau de sua compreensão do sistema.
- Ninguém é mais forte que o sistema, os que tentaram ser mais fortes que ele acabaram tornando o próprio sistema mais forte.

<Continua>

Tuesday, June 4, 2013

No país em que vivo...

No país em que vivo todos os idosos são bonzinhos. Não existem vovôs ou vovós ruins. Ter idade avançada já garante o status de “anjinho de cabeça branca”. No país em que vivo as pessoas más não envelhecem.

No país em que vivo a saúde é sempre responsabilidade do Estado que não investe o suficiente. Os pacientes são todos pobres coitados, pois mantém uma saúde alimentar perfeita, não são imprudentes no trânsito e não se automedicam. No país em que vivo a saúde não vem de casa, vem dos hospitais.
No país em que vivo ter filhos é a maior dádiva da natureza, especialmente quando se têm vários de uma vez só. É um milagre, passível de um show televisivo! No país em que vivo o advento da maternidade é mais importante do que a condição de vida para sustentar uma família.  Os bebezinhos não crescem.

No país em que vivo as crianças são todas bem educadas, nascem e crescem como santinhas. Quando por uma "exceção de caráter" aprontam alguma coisa a culpa jamais é dos pais, mas sim do professor, que foi incapaz de educas-las. No país em que vivo a educação não vem de casa, vem da escola.
No país em que vivo os políticos são todos corruptos, pois mentem, roubam e às vezes matam por poder e dinheiro. No país em que vivo os políticos aparecem simplesmente do nada, eles caem do céu, eles não provêm do povo.

No país em que vivo o negro precisa de cota, o índio é relativamente incapaz e o pobre é sempre reflexo do modelo capitalista selvagem. No país em que vivo se enfrenta o preconceito com mais preconceito.   
No país em que vivo gente com dinheiro não vai presa, gente sem também não.

No país em que vivo a justiça é para todos, para todos aqueles que detém poder e dinheiro.

No país em que vivo o estudante rico vai para escola pública e o pobre para um banco contrair empréstimo.
No país em que vivo os problemas do ensino são resolvidos com cota, a falta de emprego é resolvida com algum tipo de bolsa assistencialista, a falta de infraestrutura viária é resolvida com pedágio, a falta de vagas na cadeia é resolvida com liberação de detentos, a falta de leitos na saúde é resolvida com macas no corredor. No país em que vivo tudo é resolvido, apenas as causas que não. No país em que vivo se dá o peixe e mata-se o pescador.

No país em que vivo os valores não valem nada e o que vale alguma coisa já está sendo tributado na fonte.
 
ZSCHORNACK, Thiago. 2013.

Monday, June 3, 2013

A educação para um mundo melhor

Deuses e diabos são criados todos os dias por uma sociedade moldada e incutida de educação. Uma educação que cria Mahatmas Gandhis e Madres Terezas de Calcutá ao mesmo tempo em que cria Hitlers e Saddans Husseins. Uma educação que permite a transformação de pedaços de terra em nações, povoados em sociedades, ritos em cultura e sonhos em realidade, mas que é capaz de fazer também com que tudo isso aconteça ao revés. Deve a educação que cria e destrói ser priorizada num planeta que a cada mês de paz vive um ano de guerra?

A resposta parece óbvia, apesar de algumas reflexões, aliás, a educação é importante quando tem propósitos nobres e busca a felicidade humana em afluência com a reciprocidade e harmonia, desta forma, deve ser priorizada. A educação sempre foi a mais poderosa ferramenta de nossa sociedade, estando presente na mais inculta à mais avançada comunidade. Embora somente hoje, tardiamente, resolveu-se questioná-la.

Educar não é mais do que transferir conhecimentos, preparar ou capacitar alguém para algum fim, seja ele qual for. Por isso, a educação é um elemento importante e crucial na edificação e moldagem da personalidade humana, embora o arbítrio histórico humano reflita uma estética de negação do óbvio em prol de preconceito e intolerância. Julga-se com freqüência fisionomias, pensamentos e atitudes, mas não se enxerga os fatores precedentes e moldadores de comportamentos. Condenam-se atos definidos como anômalos sob alegações escusas de loucura e insanidade ao invés de se analisar as influências de cunho educacional originadores de tais atos. Terroristas, bandidos, políticos são alvos comuns de julgamentos isentos de imparcialidade, aonde o caráter estereotipado é prioritário e o principal é olvidado ou propositalmente ignorado. E o principal se chama educação, pois é a educação ou a sua ausência que cria e destrói tudo o que se conhece.

Hoje, vive-se em um tempo no qual as sociedades se aproximam, as relações se ampliam, as culturas são influenciadas, mas a intolerância e a mesquinhez ainda permanecem. Embora com acepção de algo bom, sabe-se que é a educação a causadora desse fato, dessa sucessão progressiva de erros históricos, não obstante, seja a própria a educação a “messias” salvadora capaz de retificar e construir um futuro mais próximo do que seja mundialmente aceito.

Devido à amplitude e intensidade pragmática na concepção de culturas, religiões, tradições e ritos, a construção de um mundo melhor, com base numa educação inequívoca, ou próximo disso, será longo e talvez árduo, mas garantirá às novas gerações um futuro digno, isento da necessidade de constante saudosismo para com os tempos passados. A educação que se deseja e deve-se priorizar é a que possibilite a todo cidadão a oportunidade de acesso ao conhecimento universal, na sua integridade, permitindo que todas as escolhas individuais sejam tomadas desvinculadas de qualquer vontade alheia. A educação com propósitos de paz, amor e atenta à felicidade do ser humano deverá sempre ser priorizada.

ZSCHORNACK , Thiago. A educação para um mundo melhor. Jornal da Educação. Disponível em: <http://www.jornaldaeducacao.inf.br/index.php?option=com_content&task=view&id=806&Itemid=63#myGallery1-picture(8)>. Acesso em: 24 jul. 2012.

Uma morte natural

Infelizmente tive que ir a um velório. Digo infelizmente não pelo velório em si, mas pelo que ele representa, ou seja, a morte de alguém. 

Tudo bem que a cidade era pequena, mas o velório foi digno de um feriado municipal. A falecida era benquista por todos e por isso o ato reuniu um número imenso de pessoas. O atestado de óbito confirmava morte por infarto do miocárdio, ou como preferem alguns, “morte natural”. É lógico que de natural não havia nada. Como é obvio que a morte natural não poderia ser evitada, a “ciência médico-legal da morte” decidiu que os idosos nunca morrem de velhice, mas do coração, de insuficiência respiratória ou de qualquer outra coisa do tipo. Tudo bem faz sentido.
O clima que emergia daquele velório era um clima pesado, de tristeza e saudade, provavelmente compatível às ótimas recordações que ficaram daquela senhora. Uma comoção um tanto natural, aliás, a morte é um dos maiores tabus da cultura ocidental, que vê na morte o fim. Por alguns minutos, eu, que não tinha nenhum parentesco com a falecida e apenas algumas vezes a tinha visto, também me pus a chorar. Bastaram-me alguns poucos momentos de contato para que chorasse feito uma criança. 

Mas deixando de lado a choradeira, em especial a minha, e focando na essência daquele momento de vulnerabilidade emocional, minha mente começou a processar uma série de informações, como se resolvesse compreender o incompreensível ou racionalizar o ilógico. Então, seguindo aquela corrente de sentimentos e sensações, parei, pensei e comecei a me perguntar: Se a morte de uma mãe é tão dolorosa assim, como deve ser a dor ao se enterrar um filho? Qual a sensação de se enterrar simbolicamente alguém morto em guerra?  Qual a sensação de nem saber se um parente está vivo ou morto? Ou seja, qual a sensação sentida quando a morte parece não seguir uma lógica? É lógico que eu não esperava que as respostas surgissem naquele ambiente. Eu morreria de medo se ouvisse alguma voz...

Esta semana acompanhei pela TV mais uma notícia de decapitação de refém no Iraque. É espantoso. Só este ano eu já perdi a conta de quantos foram decapitados. Nos jornais vejo quase todos os dias em números o saldo de mortos das últimas 24 horas. Acho que se somássemos só as baixas civis no Iraque, durante um mês, já teríamos uma base de quanto tempo levaria para a população daquele país se extinguir. A violência urbana já nem é mais dado é uma referência estatística, que serve quase que exclusivamente como base de comparação com anos anteriores. Somo a isso, a violência no trânsito, a qual é mais fatal no Brasil do que a ação de qualquer grupo terrorista no mundo. Pior ainda são os pobres, os miseráveis, os índios..., estes aí nem sequer são contabilizados, são apenas hipóteses ou estimativas. Mas como pode a dita “civilização moderna” chegar a este ponto? Cadê a dignidade dessa gente?  Parece que o ser humano nasceu para a morte, ao invés da vida. E o pior é que isso é verdade, segundo estudos, em toda história houve sempre mais guerra do que paz. Aí me ocorreu mais uma pergunta, daquelas sem resposta imediata, mas que sintetizou todas as perguntas anteriores que me ocorreram: se a “morte natural” é assim tão dolorosa, qual é a sensação de enterrar alguém morto da “morte não natural”? 

O fato é que muita gente fez previsões no passado, de cientistas a profetas, predizendo que o homem evoluiria, até se transformar “num deus”, e que o indispensável progresso da humanidade atingiria um ponto em que não haveria guerras, nem doenças, nem morte. Mas a realidade não é bem essa, esse pessoal se enganou feio, pois vivemos no século da guerra, vivemos no século em que uma vida tem pouco valor. Não é difícil de perceber. Os soldados mortos em combate, as vítimas civis das guerras, as vítimas de balas perdidas, de atentados terroristas, que tratamento recebem? Dizemos que vivemos num mundo de horrores ainda sequelado pelas lembranças da Segunda Guerra. Que nada! Nós é que queremos vivenciar parte destas lembranças. Ou não pagamos para que nos intimidem e assustem? Aliás, a morte é banal ou talvez... legal. Eu, ali, visualizando a falecida, pobrezinha, e pensando tudo isso. Mas é verdade, pagamos à indústria cinematográfica bilhões de dólares anualmente para que crie guerras, simule mortes, dor e sofrimento. Como se não bastasse a realidade dos noticiários, agora junto ao tradicional medo pela morte soma-se uma estética da negação que transforma em um banalizado e grotesco filme de horror qualquer referência séria a ela. Se não nos fosse suficiente a ficção, ainda saímos às ruas defendendo os interesses de sujeitos que matam, roubam e danificam a integridade física e psicológica alheia, em troca de alguns favores baratos, às vezes, uma cesta básica ou alguns “real”. Por outro lado criticamos as ações de ricos, poderosos, famosos, considerando apenas a versão parcial de muitos meios de comunicação. Será que nos sentimos mais aliviados com as notícias da mídia, a mesma mídia que nos choca, pois temos os “EUA defendendo a todos”? Essa é mais uma daquelas perguntas que eu não saberia nem a quem direcionar, pois hoje a morte está banalizada.  Banalizada pelos vencedores das guerras, pelos poderosos e ricos, pelos detentores de armas, pelos fanáticos religiosos e talvez, por que não, por todos nós.

Apesar daquele momento de tristeza, percebo que aquele velório me ensinou algo. Algo grandioso e profundo, que eu posso resumir na seguinte frase: quanto mais pessoas morrerem da “morte natural”, mais sentido fará a vida. Naquele dia, a vida ainda fez sentido pra mim. Que Deus a tenha!

ZSCHORNACK, Thiago. 2010.

EAD - presente ou futuro? - Uma opinião

O que percebo analisando comentários deixados em blogs e outras mídias sociais é que muitas pessoas ainda apresentam resistência a ideia do ensino a distância. Os principais argumentos residem nos seguintes aspectos:

a) O Ensino a distância é uma alternativa para as universidades baratearem seus custos operacionais, sem oferecer nenhum benefício em contrapartida.
b) Os alunos de cursos a distância não tem acesso a um conteúdo de qualidade, haja vista limitações de ordem técnica e tecnológica;
c) O networking possível nos cursos presenciais fica comprometido nos cursos a distância.
d) A falta de fiscalização do Estado permite que muitas universidades ofereçam cursos a distância de má qualidade.
A minha opinião se opõe a estes argumentos apresentados. Acredito que o sucesso do ensino a distância depende da criação, por parte da instituição e do tutor, de oportunidades adequadas para o diálogo entre professor e aluno, bem como de materiais didáticos bem estruturados. Através destas medidas simples acredito que uma grande parte do esforço estará direcionado, sendo que a outra parte dependerá de quem fará uso do EAD. Creio que a construção do conhecimento a partir da autonomia do aluno e da flexibilização do tempo é peça fundamental para a melhoria da educação no país. Por outro lado, entendo ser fundamental também a presença do Estado como ente fiscalizador das atividades das universidades autorizadas a oferecer este tipo de ensino.
Entendo ainda que a crise de qualidade que nosso país atravessa está intimamente ligada às políticas públicas que visam realizar o milagre da educação – de fazer em poucos anos aquilo que por muitos anos não foi feito. As metas audaciosas traçadas pelos governos são fomentadas a todo custo com incentivos absurdos e políticas preconceituosas. O ensino a distância é uma realidade. Não há o que se discutir a respeito dele - se é bom ou ruim, basta olhar para os lados e visualizar a experiência positiva dos países desenvolvidos. Ela está aí, e quem souber fazer bom uso dela atingirá os mesmo resultados que qualquer aluno dedicado. Agora, quem não souber, estará à mercê de um futuro sombrio, não muito diferente do que se visualiza hoje: mercado de trabalho exigente, resultados pífios em exames, difícil possibilidade de ascensão profissional, universidades sem credibilidade etc. Concluo que o futuro não está no ensino a distância, que já é uma realidade, mas naqueles que farão uso dele.

ZSCHORNACK, Thiago. Artigo publicado em: <http://thiagozs.criarumblog.com/Primeiro-blog-b1/Analise-e-opiniao-sobre-a-EAD-b1-p1.htm>. Acesso em: março de 2013.